El Niño: cientistas alertam para tempestades e calor extremo no Vale
Pesquisadores reunidos no Inpe, em São José dos Campos, analisam impactos de chuva e riscos de desastres
Pesquisadores e especialistas em clima se reuniram no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, para discutir os impactos do fenômeno El Niño no Vale do Paraíba e no Litoral Norte. Com os acumulados de chuva da primeira quinzena de setembro atingindo até 244% da média mensal esperada para a região, o encontro serviu para alertar a população e os órgãos de proteção sobre o aumento do risco de tempestades, enchentes e deslizamentos de terra com a proximidade da primavera.
Chuvas em setembro superam o dobro da média histórica
De acordo com dados levantados pela Defesa Civil, o volume de precipitação registrado nas duas primeiras semanas de setembro já supera em mais de duas vezes a média esperada para todo o mês. O cenário crítico reflete a atuação do El Niño, apontado pelos cientistas como o evento de maior intensidade projetado desde 1950.
Com o nível dos rios em elevação e o solo já bastante encharcado no Vale do Paraíba, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alertou que as tempestades e os desastres típicos da estação podem se antecipar.
Riscos de tempestades e calor intenso na região
Durante o painel apresentado no Inpe, os especialistas destacaram que as chuvas no período deverão ocorrer de forma bastante concentrada em pancadas intensas. Esse padrão aumenta a suscetibilidade a alagamentos, transbordamento de córregos e escorregamentos de encostas, com atenção especial voltada para os municípios do Litoral Norte.
Além disso, os reflexos do fenômeno se estenderão para os meses seguintes:
- Verão de calor extremo: Previsão de temperaturas muito elevadas, afetando principalmente as cidades do Vale Histórico.
- Impactos no Litoral Norte: Elevação do risco de desastres e temporais na primavera.
- Efeitos de longo prazo: Os pesquisadores reforçam que os impactos da energia acumulada pelo El Niño continuam mesmo após o término do fenômeno, podendo gerar ondas de calor e chuvas extremas até o outono do ano seguinte.
Monitoramento contínuo das áreas de risco
Diante do cenário de atenção, o Cemaden mantém o monitoramento constante das áreas vulneráveis da região para emitir alertas precoces à Defesa Civil e aos moradores. A orientação é para que as comunidades em locais de risco fiquem atentas aos avisos de tempestades de final de tarde, típicas do período.